segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Olha...

Estas brincadeiras "conheça-seus-amigos" chegaram no blogspot... Que bonito isso, não?
Entonces, agradeço desde já ao Deco, por me fazer aderir a este movimento. Vâmo lá.

Uma hora: 19h - hora de chegar em casa, após 12 horas de jornada.
Um astro: vale o sol?
Um móvel: sofá
Um líquido: suco de laranja
Uma pedra preciosa: jade
Uma árvore: coqueiro
Uma flor: margarida
Um animal: porco
Uma cor: laranja
Uma música: Ciranda da Bailarina - Chico Buarque
Um livro: No momento, A Misteriosa Chama da Rainha Loana - Umberto Eco.
Comida: Bife à milanesa
Um lugar: o palco...
Um verbo: dormir ¬¬
Uma expressão: "orapapaporra, bicho!"
Um mês: março, quando meu ano começa.
Um número: 13
Um instrumento musical: contrabaixo
Uma estação do ano: quais são as opções em Belém, além de sol e chuva?
Um filme: Em Busca da Terra do Nunca.


Agora eu tenho que recomendar o jogo a 20 blogs. Acho que eu nem conheço 20 pessoas, quanto mais 20 que tenham blog, mas... Vamos tentar.

Luana - Minhas Perdas e Meus Ganhos
Lívia - Pra Falar de Mim
Arthur - Música Pra Ouvir
Guto - Redoma de Papel
Igor - Retratos São Perspectivas Transitórias
Leandro - LeandroM
Mel - A Vida Necessita de Pausas
Márcio - A Estética do Olhar
San - (Co)Lapsos
Tyara - Tyka Sem Um Ponto

Cheguei na metade.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Sob a Poeira

E agora, mais nada
aqui, o sol não toca o chão
Só há paredes em declínio
Aqui, só concreto e solidão

E então, faltam verdades
não há mais sim, não há mais não
As gentilezas aqui não respiram
Aqui, a poeira é redenção

E logo, a dor tem cheiro forte
Logo sobe a fumaça, a degradação
as pernas voam nos degraus da fé
aqui, a fé bate o rosto no portão

E depois, tijolo e lágrima -
um só lamento à contradição
fé e verdade, sol e dor
tudo vira cimento, tudo vira canção.


*Intervenção direta do texto Égide, do San (http://www.colapsos.blogspot.com).
O "Lúcia", eu continuo depois.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Lúcia

E da pedra ela pulou, e foi dar no mar. E para o mar fiquei olhando por horas que pareceram meses. Ela não mais voltou à superfície.
...

Era um dia como qualquer outro dos dez mil dias que eu vivi iguais. O mar, a areia e o vento, este segredando aos dois suas aventuras de artífice. Artífice como ele era eu – não da mesma magnitude, certamente, mas areia e água eu moldava e dava vida à fé do vilarejo. Ofício e glória herdados de meu pai, dedicava meus dias a erguer santos de barro, e deles tirava meu sustento. Todos os dias.
Naquele dia, o sol já estava alto quando eu levantei, embora acordado estivesse desde antes dele nascer. Demorei-me pensando em pequenas bobagens, como a origem das palavras, o número exato de vilas pescadoras existentes e quem poderia ter nomeado as coisas e os bichos. Bobagens. Entrei no mar para amenizar o calor antes de começar a trabalhar. A verdade era que eu estava pouco disposto aquela manhã. Sem mais, pus-me a modelar mais uma, a primeira das muitas que pretendia fazer aquele dia, imagem. Era a imagem de uma mulher, mas, apesar do semblante doce e austero, não parecia uma santa. Eu sempre fiz santos. Só santos. Mas aquela mulher... Santa não era.
Embora curioso, quase intrigado com o esboço que eu criara sem saber por que e com a minha convicção a respeito do seu paganismo, prossegui com o labor. Entretive-me ali com aquele rosto que parecia se rir de mim, tanto que não percebi que uma pessoa se aproximava. Vi a sombra de algo esvoaçante e eu, agachado, virei-me para ver do que se tratava. Era um vestido branco. Olhei para cima e o sol por uns instantes me impediu de ver o rosto da mulher que o portava. O rosto ao qual há pouco eu dera forma.
- Bom dia – disse eu, por fim, embora talvez nem dia fosse mais de tanto que eu passei tentando observá-la.
- Dia novo? Aqui é a praia do Dia Novo? – diante de minha confirmação, ela suspirou e olhou para o alto – Cheguei, então. Mas que dia novo pode ter um lugaar onde todos os dias se parecem?
- Sinto dizer, mas há tempos estamos sem dias novos por aqui. talvez não haja nada de novo desde que novas eram as redes de pescar, e estas já têm tempo. Acredite, a maior novidade de hoje é você. Que ventos a trouxeram aqui?

Lúcia. Lúcia era o nome dela, soube naquele instante. Ela não me olhava, só olhava para o céu.

- Quer dizer luz. Acho que é isso que vim procurar aqui. Um pouco mais de luz. Esse vento que aqui me trouxe, como disse você, deve ter ouvido minhas lamúrias. E você, que ventos aqui o trouxeram?
- Aqui eu não cheguei por vento. Não, vim pelas mãos da única parteira que por aqui vive. Os ventos trouxeram meus pais, mas também já os levaram.
- Pena. E você os busca criando imagens em areia? Deixe-me entender – agachou-se e eu pude confirmar que ela era atordoante – você cria santos. Deus criou você e você cria seus auxiliares. À sua própria imagem e semelhança, foi assim que Deus criou todo mundo, não? Você cria santos à sua própria imagem e semelhança. Você é Deus ao contrário?
Acho que eu não entendi nada do que ela falou nos minutos que se seguiram. Mas já era suficiente para prever que Dia Novo viveria um dia completamente diferente dos dez mil dias que o antecederam.


Continua...
=D

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A voz do dono e o dono da voz


A linha tênue entre “o-que-se-diz” e o “como-se-diz” na música brasileira

“Eu não componho, minha criação é na hora de interpretar”, revela Maria Bethânia. Utilizando como mote as palavras de uma das maiores intérpretes do Brasil, surge uma discussão bem interessante de ser colocada em pauta: até que ponto um compositor possui controle acerca daquilo que cria?
Segundo o poeta Waly Salomão, um leitor - neste caso um ouvinte – “é querido e livre, e pode ler (ou ouvir) assim ou assado”. Nesse sentido, pressupõe-se que o intérprete é co-autor daquilo que interpreta. Um cantor, por exemplo, imprime sua assinatura e suas verdades sobre a obra na qual se debruça – principalmente porque escolheu aqueles versos e notas como uma ferramenta de auto-tradução. “Aquilo que eu digo em uma música pode ganhar dezenas de outras conotações, dependendo de quem a interpreta. E eu me divirto com isso”, comenta Maria Lídia, compositora de grande expressão local.
Já Marina Lima, autora de grandes canções em parceria com o irmão, o filósofo Antonio Cícero, vê de outra forma. Seu trabalho partiu da vontade de expressar com palavras próprias sua visão de mundo. “Quando você fala através da boca de outra pessoa, não tem compromisso com a imagem que faz de si próprio”, explica. No caso do trabalho que reflete demais seu autor, outra interpretação pode torná-lo vazio. Adriana Calcanhotto, apesar de negar que seu trabalho seja existencialista, confessa que suas canções acabam comentando-a, de algum jeito: “Não que eu tenha vontade ou necessidade de fazer um trabalho confessional. Mas elas acabam virando um instantâneo de um momento meu”.
Nesta discussão não importa quem está certo ou errado. Já disse Chico Buarque, “músicas são filhos postos no mundo”, livres para despertar quaisquer sentimentos em quem quer que as ouça. Assim, elas permitem que sejamos seus compositores e intérpretes, fazendo de suas verdades as nossas. É como cantou Milton Nascimento: “Certas canções que ouço / Cabem tão dentro de mim / Que perguntar carece: / como não fui eu que fiz?".
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N.A.: Primeira parceria (espero que dentre muitas outras) com Tyara De La-Rocque (http://tyaradelarocque.blogspot.com/) e Arthur Nogueira (http://arthurnogueira.blogspot.com/), e está disponível no blog da nossa oficina de Jornalismo Cultural, ministrada pela jornalista Márcia Carvalho: http://oficinajornalismocultural.blogspot.com/.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Eu Mal Respiro

As ruas passam por mim
E eu passo mal, eu mal respiro
Os dias se dobram em estilhaços
Meus passos no espelho, e eu não te miro

Meia hora e eu enlouqueço
Eu me despeço do que eu era
há meia hora. O mundo, meu
Mentira fosse, quem me dera...

Se dói tanto olhar pra trás
O passado, nunca mais

O tempo me confronta
Em frente, o breu da incerteza
Enfrentar o frio? Nem tento
Dentro dos olhos, tristeza

Um sabor que desconheço,
A perda cega por descaso
Padecer, eu já padeço
Sem perdão, amarga jazo

Que temor tal noite traz...
Outras como essa, jamais

A vida move-se adiante
Muda o mundo em um giro
Mas hoje, as ruas passam
E eu passo mal, eu mal respiro.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

A Bolsa

Valores, vacilos, vitrilhos, verdades
Vitrines pelas quais passei
As chaves de casa, a identidade
As contas que ainda não paguei
As fotos, os fatos, os foras levados
Canetas, calendários, compromissos
Minhas dores, meus dias assinados em três vias
O ócio, os ossos do ofício

Remédios, receitas, revistas, recatos
Rascunhos que eu não guardei
Segredos, saúde, sorrisos, silêncio
Saudades de quem eu deixei
Papéis, passaporte, perfume, passagem
Palavras cobertas de maquiagem
Doutores, dezembros, documento do carro
As aventuras que, por vergonha, não narro

Cotonetes, cotovelos, crediários
Seguro, santos, sábados, salário
Poucos reais, muitos imaginários
Meu passado escrito em um diário

Aqui mora tudo que eu necessito
Tudo se sabe sem que nada seja dito
Pro que aqui se esconde, o mundo todo é cego...

- É minha vida, que no ombro eu carrego.

terça-feira, 27 de março de 2007

Menor Que Quem?

Pois é, caros leitores. Como alguns de vocês sabem, esta que vos escreve completou sua maioridade há uma semana (Sim: bolo, guaraná e muito doce pra mim). Período propício para a façanha, já que muito se tem dito sobre a diminuição (ou não) da maioridade penal e - como é de praxe no nosso País Tropical -nada se resolve. Eu, na minha humilde condição de "recém ex-menor", vejo-me tentada a pôr o bedelho no assunto.
Então. De cara, digo que a juventude brasileira anda muito mal vista. No mínimo. Esqueceram o discurso bonito de Sementes Do Amanhã para substituí-lo pelo rótulo para o qual ela é criada, em casa e na escola: "Alienados, dirijam-se à direita. Rebeldes, pra esquerda. E façam fila, por favor".
Exemplos disso são as regras confusas do convívio Jovem X Sociedade: Um menino de dezesseis anos, digamos, deve (ou não) se responsabilizar por um crime, mas não pode responder por seus atos se for a um bar com os amigos. Negligência do pai, da mãe e/ou do dono do bar. E pelo menos um desses, pode estar certo, vai responder a processo judicial (no horário comercial, com pausa para almoço e pra novela da tarde). O mesmo moleque não pode dirigir, mas o Estado garante seu direito de eleger governantes - deixando sempre claro que não acredita na maturidade dele pra tamanho ato cívico (o próprio Brasil esculhamba todo o seu processo eleitoral...). E como se não bastasse o bafafá, a mídia de entretenimento ainda engrossa o caldo dos estereótipos da juventude, com suas gírias iradas que, tipo assim, piram o cabeção de toda a galera. Caraca, meu.
No fim das contas, a grande pergunta não é se o adolescente tem (ou não) que pagar pelos crimes que supostamente cometeu. Agora, o que ninguém sabe e todo mundo quer saber é:
Menor, ainda vá lá. Mas menor que quem?
A autora adianta a resposta: menor que a mídia, que os rótulos, que as tradições, que a bur(r)ocracia, que o Estado, que o senso comum, que o sistema educacional e - por que não? - menor de idade.

terça-feira, 20 de março de 2007

Redação

Fez-se silêncio onde silêncio sempre foi e surpresa não houve - no silêncio havia comodidade. Conforto e quietude. Talvez porque no silêncio morrem as promessas há tanto esquecidas, encobertas pelo engano de que essas se cumpririam como sentenças, assim, silenciosamente.
No silêncio ainda repousam as palavras de desculpas que foram pensadas outrora, e talvez tenham permanecido assim, em pensamento, por se fazerem desnecessárias - já que há perdões que só o silêncio pode pedir. Ainda mais o perdão de uma promessa esquecida. De fato, só restava o silêncio que sempre lá esteve - e por que não haveria de estar?
E é possível que até o silêncio tenha se assustado com o basta sussurrado por um fio de voz, que desencantou-se do silêncio o suficiente para perceber que em sua comodidade e quietude reside também o conformismo e o medo; e que só há beleza no silêncio quando este é precedido da poesia e da força que só as palavras podem conter.
Aquele sussurro ficou pairando no silêncio que se seguiu sabe-se lá por quanto tempo, à espera de um grito seguidor, de mesmo um gemido de aprovação. Mas é difícil romper as amarras do confortável, e aquele fio de voz ficou ali, imerso no silêncio alheio e na decepção de ser apenas um sussurro incapaz de contagiar o que foi calado dentro de cada um.
E mesmo sabendo que dentro de si carregava não só um sussurro, mas um grito contido, aquele fio de voz que por um momento ousou sussurrar trocou o sussurro por um suspiro cheio de impotência e frustração. Resignado, deixou o comodismo calar sua tristeza e fez-se silêncio onde silêncio já não era.
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Primeiras decepções com o jornalismo.